O capítulo abre com Paulo em
Corinto, e lá ele conheceu Áquila e Priscila. O severo decreto de Cláudio operou
para lançá-los no caminho de Paulo, e isto levou à conversão deles e depois ao
seu serviço subsequente, que mereceu o alto louvor de Romanos 16:3-4. Deus transformou
o decreto de expulsão para bem, fazendo com que a ira do homem O louvasse; e
podemos esperar e orar para que Ele trabalhe da mesma maneira em relação aos
decretos modernos contra os judeus. Com esse casal, Paulo habitou e começou seu
trabalho na sinagoga. Aqui Silas e Timóteo se juntaram a ele, e o testemunho de
Paulo tornou-se mais forte e mais direto. Então, diante da oposição dos judeus,
ele se voltou para os gentios.
“E, saindo dali” (v. 7);
isto é, da sinagoga; e levou seu testemunho à casa de um certo homem, Tito Justo,
que estava por perto. No entanto, uma obra bem definida e grande de Deus
aconteceu, sendo o principal da sinagoga convertido. Por uma visão, o Senhor o
encorajou a falar com ousadia, com a certeza de que ele não deveria ser
molestado ali, como fora em outros lugares. Então, por dezoito meses ele
trabalhou. Houve uma tentativa contra ele, mas sob a mão de Deus isso foi
frustrado pela fria indiferença de Gálio, o procônsul romano, que tratou todo o
assunto como uma disputa sobre palavras e nomes, e não se preocupou com nenhuma
dessas coisas. Assim, Deus pode utilizar o temperamento de um governador, bem
como o decreto de um César, para servir Seus fins, e Paulo não deixou Corinto
até algum tempo depois.
Com esta longa permanência em
Corinto, a segunda jornada de Paulo chegou ao fim, e ele partiu para Jerusalém
e Antioquia, via Éfeso, onde sua estadia foi curta; ele prometeu voltar, “querendo Deus” (v. 21). Que Deus quis
assim, vemos no próximo capítulo. O versículo 18 nos mostra que Paulo ainda
observava os costumes judaicos, como na questão de um voto.
Em Antioquia, ele passou “algum tempo”, uma expressão que indica
um período não muito longo: então ele partiu em sua terceira jornada, e inicialmente
às cenas de antigos trabalhos, a fim de fortalecer os discípulos. Este é sempre
um trabalho muito necessário, uma vez que existem muitas influências que
contribuem para o enfraquecimento dos discípulos. Temos a história de Paulo no
primeiro versículo de Atos 19, e os versículos 24-28 são um parêntese que trata
com o pleno esclarecimento de Apolo e seu feliz serviço, no qual descobrimos
que, embora Paulo tenha passado bem rapidamente em Éfeso, Áquila e Priscila
permaneceram lá e, por meio deles, o Senhor forneceu a Apolo exatamente o que
ele precisava.
Apolo possuía o dom natural
da eloquência – ele era um mestre de palavras. Por estudo diligente ele se
tornou “poderoso nas Escrituras”. No
entanto, quando ele chegou a Éfeso, ele não estava bem informado quanto à
intervenção de Deus em Cristo. Ele só sabia das coisas até a introdução de
Jesus pelo batismo de João. O que ele sabia, ele diligentemente ensinava na
sinagoga. Áquila e Priscila, ouvindo-o, imediatamente perceberam o que lhe
faltava e realizaram o agradável serviço de mostrar-lhe hospitalidade, a fim de
instruí-lo mais plenamente no que havia acontecido por meio de Cristo. Assim,
Deus usou esses santos, que não tinham nenhum dom público específico, para fielmente
introduzir um vaso muito talentoso em sua carreira de serviço. De Éfeso ele foi
para Corinto, e não apenas ele convenceu muitos judeus quanto a Cristo, mas
também ajudou muito os crentes. Quanto da recompensa de seu eficiente serviço
irá a crédito de Áquila e Priscila, quem dirá?